Macroeconomia brasileira em detalhes

O técnico de planejamento e pesquisa Gabriel Squeff falou sobre temas como PIB, inflação e contas públicas

No terceiro dia do Curso de Economia, os jornalistas do Espírito Santo tiveram uma aula sobre conceitos e mitos da macroeconomia. Gabriel Squeff, técnico de planejamento e pesquisa da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac), discorreu em uma hora sobre temas diversos, como Produto Interno Bruto, taxa de juros e mercado de trabalho.

De maneira didática, Squeff destacou alguns equívocos às vezes encontrados em textos jornalísticos. “É comum dizerem que o PIB é a soma de tudo produzido num país durante o ano. Na verdade, isso é errado. Ele corresponde ao valor agregado de cada etapa da produção”, explicou. De acordo com o técnico, o argumento de que os gastos correntes do governo cresceram muito tem de ser relativizado na medida em que a formação bruta de capital fixo (investimento) cresce mais que o consumo e o PIB.  “A taxa de investimento do primeiro trimestre de 2010 foi muito alta, e isso é bom porque aumentar o estoque produtivo alivia a pressão inflacionária”, afirmou.

Questionado se a afirmação de que o Brasil não tem condições de expandir seu PIB a um ritmo chinês, Squeff disse que esse cálculo é feito em função de uma série histórica do Produto Interno Bruto, que resulta num PIB potencial limitado. Como a série histórica brasileira apresenta momentos de baixo crescimento, alta inflação e demanda reprimida, o PIB potencial consequentemente é deprimido para a faixa dos 3,5% ao ano.

Citando outro termo que por vezes é utilizado de maneira errada pela imprensa, Squeff explicou que o balanço de pagamentos não é “balança de pagamentos”. “É balanço porque se a soma de seus componentes (transações financeiras, conta capital financeira, erros e omissões) for positiva, o que sobra vai para as reservas, e aí o resultado é zero”, disse. Trata-se de uma finalidade diferente, portanto, da balança (esta sim, no feminino) comercial.

Os números referentes a crédito e desemprego mostrados pelo técnico do Ipea são animadores. O desemprego em junho de 2010 foi o menor desde o começo da série, em 2002, e pela primeira vez mais de 50% dos trabalhadores formais têm registro em carteira. “A relação crédito-PIB ainda é limitada, mas o fato de que as operações de crédito pularam de 28,5% em 2001 para 45,3% em 2010 é muito importante”, disse Squeff.  E a quantidade de recursos livres cresceu mais que a de recursos direcionados. Concluindo sua apresentação, o economista deixou um alerta: para o País manter a trajetória de equilíbrio nas contas, é preciso um esforço maior para manter a balança comercial superavitária.

Veja os gráficos apresentados

Uma resposta para “Macroeconomia brasileira em detalhes”

  1. Girley Vieira Disse:

    Curso bem organizado e temas pertinentes. Destaque também para o nível dos palestrantes. É bom saber que um órgão tão importante para o desenvolvimento do país conta com servidores com excelente formação e qualidade técnica.

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