Um canal para o debate de ideias

novembro 27, 2009 por ipea

Criado como parte das comemorações dos 45 anos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o curso gratuito Brasil – Ipea 45 Anos – Panorama Econômico-Social: uma Atualização vem cumprindo não apenas seu objetivo de atualizar os profissionais da mídia com os temas econômicos, como também estreitou o canal de debate entre os técnicos do Instituto e os jornalistas.

Após cinco edições realizadas – Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Recife –, sempre com parceiros locais como Fecomercio-SP, Sebrae-RJ, Ipardes-PR, Fundaj-PE e SJEPE, o curso já atendeu mais de 850 jornalistas e ministrou 60 horas/aula por parte de mais de 20 diferentes palestrantes. Em 2010, o curso continua e deve seguir para as regiões Norte e Centro-Oeste do País.

O Ipea é uma fundação pública federal vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Suas atividades de pesquisa fornecem suporte técnico e institucional às ações governamentais para a formulação e reformulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiros. Em setembro o Instituto completou 45 anos.

Foto: Felipe Ferreira

O caso único das políticas sociais no Brasil

novembro 27, 2009 por ipea

André Campos, da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea

O encerramento do Curso de Economia para Jornalistas do Ipea coube ao sociólogo André Campos, técnico da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Instituto, que falou sobre as políticas sociais brasileiras, outro tema que suscita discussões acaloradas na sociedade.

A definição de política social utilizada pelo Ipea é a de um conjunto de programas e ações do Estado continuadas no tempo, que atende a necessidades e direitos, sendo dividido em proteção social (contingências) e promoção social (igualdade de oportunidades). É consenso entre os estudiosos de que a Constituição Federal de 1988 é o marco referencial para as políticas sociais brasileiras.

Para Campos, ela criou um sistema de proteção e promoção social que é um caso único em um país periférico. “Ela amplia uma série de direitos sociais – passou a proteger pela previdência uma população do campo que estava descoberta – e dá novos direitos aos trabalhadores urbanos”, afirmou.

Cidadania x Trabalho
A partir da Carta, passa a vigorar no País uma seguridade social com relativização do vínculo do trabalho, do vínculo contributivo. Dessa forma, se descolava a cidadania do trabalho. A previdência mantém o benefício atrelado às contribuições feitas. A seguridade social não tem essa condicionante, serve à cobertura das contingências sociais.

Esse maior comprometimento do Estado se traduz ainda pela tentativa de universalização das políticas sociais, da valorização dos benefícios (piso a partir do salário mínimo e com sua irredutibilidade), entre outras medidas. Campos mostrou por meio de tabelas e gráficos o alcance das políticas sociais no Brasil, que hoje representam 22% do PIB em gastos das três esferas de governo.

Apesar dessa abrangência, o técnico lembrou que ainda há dilemas e desafios para esse sistema, como sua estrutura de financiamento. “Ela é ainda muito regressiva e pouco atuante no que diz respeito a estoques de riqueza”, concluiu.

O Curso de Economia para Jornalistas do Ipea, edição Recife, aconteceu no Museu do Homem do Nordeste e contou com o apoio da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e do Sindicato dos Jornalistas do Estado de Pernambuco.

Foto: Felipe Ferreira

A macroeconomia e o discurso hegemônico

novembro 27, 2009 por ipea

Renaut Michel, assessor técnico da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea

O quarto e último dia do Curso de Economia para Jornalistas, edição Recife, trouxe dois temas que costumam causar grande celeuma na sociedade: macroeconomia e política social. O assessor técnico da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, Renaut Michel, deu início com a palestra macroeconomia para o pleno emprego, aproveitando para questionar os colegas jornalistas sobre os perigos do discurso hegemônico na mídia.

Michel abriu afirmando que o modelo macroeconômico busca alcançar três metas: estabilidade monetária, economia com crescimento sustentável e pleno emprego. “Nenhum macroeconomista responsável pode negligenciar a inflação, por dois motivos, ela desorganiza a estrutura de preços (não é possível saber quanto custa um negócio, se o retorno será maior que o investimento) e ela pune mais perversamente os pobres.”

Com essa premissa, o economista mostrou como, no caso brasileiro, um processo inflacionário longo e persistente gerou um olhar diferenciado para a inflação, não apenas por parte dos economistas, mas da mídia. A interpretação era que a inflação tinha relação direta com desequilíbrio das contas públicas, com o Estado que não regula seus gastos.

“Surge um discurso hegemônico que diz que o mal é a inflação e a culpa dela é do Estado. Por essa relação de causa e efeito, o Estado, logo, tinha de ser pequeno para mover a economia e gerar emprego. O Estado é culpado porque gera inflação e esta, estagnação e desemprego”, explicou.

Dinossáurico
Michel, então, passou a fazer o que chamou de “provocações”, mostrando como não apenas a academia e os formadores de opinião, mas a quase totalidade da mídia comprou essa ideia nos anos 1990. “Qualquer discurso diferente era visto como dinossáurico, ultrapassado.”

Segundo ele, a lógica era a de que pouco Estado iria gerar estabilidade, estabilidade traria crescimento econômico. A tese do Estado mínimo, porém, não se comprovou. A inflação foi debelada, mas não houve crescimento nem emprego. “O modelo continha contradições: taxa de juros muito alta, um inibidor do investimento. Sem investimento não tem crescimento, sem crescimento não tem emprego. Se o meu modelo é refém do juro alto é uma falácia dizer que ele trará crescimento”, afirmou.

Para Michel, no começo do século XXI, esse discurso é posto em cheque. “A experiência empírica, viver o modelo na prática, mostrou suas falhas. Mas continua o descolamento entre realidade e cobertura midiática. E isso com a crise, que teve início nas economias ricas, as mesmas que criaram o discurso hegemônico, e onde todos reconheceram a importância do Estado e de seus mecanismos de intervenção para superá-la.”

O economista abordou ainda outro ponto, o da desigualdade brasileira, cuja solução não estaria apenas em políticas macroeconômicas de crescimento com sustentabilidade, mas também em políticas sociais. “Em um país com as características do Brasil é contradição querer Estado mínimo”, disse.

Para concluir, Michel falou sobre o debate eterno entre Estado X Mercado, com um alerta aos jornalistas. “É bom o debate, a luta no campo das ideias. E perder o debate é lícito, faz parte, mas antes não havia debate. Éramos desqualificados como atrasados. E aí entra a mídia para garantir as duas interpretações. É preciso evitar o pensamento único.”

Foto: Felipe Ferreira

Nova correlação de forças globais

novembro 26, 2009 por ipea

Auditório cheio durante a palestra de Mário Theodoro, diretor de Estudos, Cooperação Técnica e Políticas Internacionais do Ipea

Para encerrar o terceiro dia de curso, o diretor de Estudos, Cooperação Técnica e Políticas Internacionais do Ipea Mario Theodoro apresentou o tema das relações econômicas e políticas internacionais, sendo estas a área em que o Instituto começa a se debruçar devida e oportunamente, já que o Brasil se apresenta hoje como um interlocutor de peso no cenário mundial.

“Há um novo panorama, uma nova correlação de forças. A China se agiganta como nova potência e coloca a perspectiva de uma bipolaridade com os Estados Unidos, diferente daquela que havia com o bloco socialista. Apesar das diferenças eles são complementares. Isso pode atrapalhar um mundo mais multipolar”, afirmou Theodoro.

A partir disso, o diretor mostrou como projetos como o da União Europeia são hegemônicos, como contrapontos à força dos Estados Unidos. “A Europa perdeu importância depois da Segunda Guerra. Ela é o berço da civilização ocidental, mas também dos nacionalismos. Há problemas ainda”.

Já a África continua sendo o continente esquecido, assim como as áreas de conflito no mundo também não mudaram: Oriente Médio, Coreias, Afeganistão. “Algumas dessas zonas de conflito estão aí desde o início do século passado. Significa dizer que os mecanismos de mediação falharam.”

Neste contexto é que o Brasil passa a ser visto como um grande player, pleiteando, entre outras coisas, mudanças no Conselho de Segurança da ONU (hoje composto pelos mesmos membros do fim da Segunda Guerra, EUA, França, Grã-Bretanha, China e Rússia, os únicos com poder de veto). “Somos um país que vai impulsionar o subcontinente e que, em 15 anos, será a quinta economia do mundo”, lembra Theodoro.

Aliado a isso, a descoberta das reservas de petróleo do pré-sal implica planejamentos estratégicos. Da prevenção de um processo de desindustrialização, devido à entrada maciça de dólares da riqueza do petróleo, tornando mais barato importar bens que produzi-los aqui (chamado de doença holandesa), à questão da defesa nacional.

Grande fazenda?
“O País terá um reaparelhamento bélico. Já estamos fazendo parcerias com vários países, mas precisamos também reduzir nossa dependência tecnológica. O setor bélico é importante porque produz empregos e inovação”. Para o diretor, tudo isso coloca outra grande questão ao País: o que seremos em 2022 (bicentenário da independência)? Uma grande fazenda, exportadores de commodities, ou possuidores de um importante parque industrial?

Sendo o crescimento do Brasil um dado tido como certo por todos, Theodoro falou dos temas do meio ambiente e da redução das desigualdades regionais com nossos vizinhos. “Não podemos crescer com o modelo antigo, poluidor. Também não é possível ser uma ilha de prosperidade cercada de vizinhos pobres. Chega de muros, de cercas.”

O diretor abordou ainda três tópicos da agenda internacional, todos ligados ao problema da regulação: a financeirização da economia global; o comércio internacional; e a questão ambiental e a necessidade de matrizes energéticas menos poluidoras.

O Curso de Economia para Jornalistas do Ipea tem o apoio em Recife da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e o Sindicato dos Jornalistas do Estado de Pernambuco.

Foto: Felipe Ferreira

Desigualdades regionais e políticas públicas

novembro 26, 2009 por ipea

Leonardo Monastério, técnico da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais do Ipea

O terceiro dia de palestras do Curso de Economia para Jornalistas, em Recife, contou com dois polos de discussão – regional e internacional. O técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea Leonardo Monastério, da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais do Instituto, abriu a noite falando sobre desigualdade regional e políticas públicas.

Monastério contextualizou o tema falando sobre a abstração da ideia de país, pois as pessoas vivem nas cidades, e que as aglomerações humanas ainda são mais frequentes nas orlas dos continentes. “Existe uma lógica, portanto, para a concentração da atividade econômica no mundo”, disse. Isso se aplica a questões de transporte, mão-de-obra qualificada, tamanho dos empreendimentos e seu retorno financeiro.

Como exemplos, ele citou o caso do Japão, onde cinco prefeituras produzem 29% do PIB do Leste Asiático; e do Brasil, de cujo PIB, 33,4% são produzidos no Estado de São Paulo. A partir dessas concentrações econômicas e aglomerações populacionais, foram apresentados dados sobre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), PIB e expectativa de vida dos estados e regiões do Brasil.

Locomotivas
“A desigualdade histórica teve pouca mudança de 1872 para 2000. Esta realidade estava dada desde o século XIX”, afirmou ao mostrar gráfico com o comparativo de renda per capita entre o Sul/Sudeste X Nordeste. “A questão que se coloca é: dada região é pobre ou pobres são os que vivem lá? Se o problema for de pobreza, políticas regionais são desnecessárias, basta política social. Se o problema é da região, é preciso política regional. Não há soluções fáceis.”

Monastério mostrou, contudo, que as capitais do País não são mais as locomotivas do progresso. A descentralização da indústria, algo esperado, e a participação mais equânime das regiões no PIB brasileiro, vem evoluindo desde 1990, assim como um dado que mostra de forma mais exata o desenvolvimento social: taxas de mortalidade infantil em queda nas regiões Nordeste e Norte.

O técnico citou ainda teorias econômicas de desenvolvimento regional já tentadas sem grande sucesso no passado, como a criação de polos, ou regiões como base exportadora; e novas tentativas, casos do desenvolvimento endógeno e de novas instituições. “Toda política pública tem impacto regional, por isso há que se ter foco. Quando se faz algo, temos que pensar no que deixou de ser feito em detrimento a isso”, concluiu.

O Curso de Economia para Jornalistas do Ipea tem o apoio em Recife da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e o Sindicato dos Jornalistas do Estado de Pernambuco.

Foto: Felipe Ferreira

Indicadores econômicos

novembro 25, 2009 por ipea

Albino Alvarez incluiu em sua exposição dois indicadores que ainda serão lançados pelo Ipea

A última palestra de terça-feira ficou por conta de Albino Rodrigues Alvarez, da assessoria técnica da Presidência do Ipea, que apresentou os indicadores econômicos criados pelo Instituto neste ano (dois em operação e outros dois que serão lançados), sua metodologia e aplicação.

Alvarez destacou a importância desses instrumentos para analisar determinadas realidades e auxiliar na tomada de decisões do governo. “Os indicadores fornecem informações que podem ser úteis para prever o futuro e agir com antecedência.” O Sensor Econômico e o Índice de Qualidade de Desenvolvimento (IQD) estão disponíveis, mensalmente, no site do Ipea. O Índice de Expectativa Econômica das Famílias e o Índice de Percepção serão lançados em breve pelo Instituto.

O Sensor Econômico mede qual a expectativa do setor produtivo em relação ao futuro da economia. O resultado é obtido por meio da distribuição de questionários a 115 entidades do setor produtivo, que representam 80% do PIB brasileiro. O número calculado indica o estado de ânimo desse setor, variando entre otimismo, confiança, apreensão, adverso e pessimismo. “O indicador objetiva fornecer melhor ferramenta para análises prospectivas aos formuladores de políticas públicas e estratégias empresariais, facilitando, assim, o planejamento”, esclareceu o pesquisador.

 Já o Índice de Qualidade de Desenvolvimento (IQD) avalia a qualidade do desenvolvimento brasileiro e permite discutir sua sustentabilidade. O indicador inédito resume três subíndices: índice de qualidade do crescimento; da inserção externa; e do bem-estar.

O pesquisador citou ainda os índices que estão em construção. O Índice de Percepção Social é um sistema de nove indicadores que captam a avaliação das pessoas em relação aos serviços de utilidade pública (saúde, transporte, habitação, educação, trabalho, etc). E o Índice de Expectativa Econômica das Famílias capta a expectativa das famílias em relação ao futuro da economia e da sociedade e divide-se em três temas: confiança econômica, crédito e endividamento, trabalho e emprego.

Foto: Otávio de Souza

Inovações tecnológicas e matriz energética

novembro 25, 2009 por ipea

José Eustáquio Filho, técnico da Diset, explicou a relação entre aumento de investimento e aumento de renda

O segundo dia do Curso de Economia para Jornalistas em Recife contou com a exposição do técnico da Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais, Inovação, Produção e Infraestrutura (Diset) José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho sobre o tema Economia: regulação, inovação, produção e infraestrutura. Doutor em economia pela Universidade Estadual de Campinas, Eustáquio iniciou o seminário citando as bases fundamentais para um planejamento de longo prazo do crescimento econômico: segurança alimentar, sustentabilidade ambiental, mudanças tecnológicas e matriz energética.

Afirmou que, para aumentar a produtividade de um país, são necessários o aumento de estoque de capital, a melhoria dos recursos humanos dentro das unidades produtivas, recursos naturais e as inovações tecnológicas. “Os agentes competem entre si buscando estratégias inovativas que visam aumentar produtividade e, portanto, aumentam também as margens de lucro e a produção.”

Ele defendeu também que, quando aumenta o investimento, aumenta ainda mais a renda. Segundo o pesquisador, as instituições têm um papel importante para viabilizar esse crescimento. “Para cada R$ 1 investido na Embrapa, R$ 16 são devolvidos para a sociedade. As pesquisas de desenvolvimento feitas pela instituição, referência em tecnologia tropical, chegam aos produtores agrícolas”, exemplificou.

Vieira Filho mencionou ainda a ideia da inovação induzida por meio das mudanças dos preços relativos, influenciando o desenvolvimento tecnológico em outras áreas de conhecimento. Lembrou que, na década de 1970, o aumento do preço do petróleo viabilizou investimentos no álcool.

Ao final, o técnico da Diset ressaltou que, em um planejamento de desenvolvimento, o país que não tem uma matriz energética diversificada está fadado ao fracasso. Se um país depende de uma única fonte energética, está mais dependente de flutuações exógenas do mercado. A questão da energia influencia os setores econômicos, sociais, estratégicos e de negócios.

Foto: Otávio de Souza

Impactos da crise no emprego formal

novembro 24, 2009 por ipea

Luís Henrique apresentou dados de uma pesquisa sobre emprego elaborada pela Fundação Joaquim Nabuco

Luís Henrique Romani de Campos, técnico da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), encerrou a primeira noite do curso com a apresentação sobre perspectivas do mercado de trabalho formal e informal no Nordeste. O doutor em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco utilizou dados do IBGE, do Ministério do Trabalho e Emprego e do Dieese sobre emprego.

Campos explicou que não há um consenso sobre o que possa ser classificado como emprego informal. Duas versões mais usadas em virtude do formato das bases de dados são “possuir ou não carteira assinada e contribuir ou não contribuir para a previdência privada”. Mas há a dificuldades em lidar com o trabalhador “conta própria”.

Ele ressaltou os benefícios do emprego com carteira assinada, pois insere o trabalhador na seguridade social, proporciona mais de estabilidade e traz melhor acesso ao mercado bancário e de crédito. E lembrou que há uma formalização crescente do trabalho como consequência da expansão econômica, como revelou a Nota Técnica do Boletim do Mercado de Trabalho do Ipea em maio de 2009.

O pesquisador mostrou ainda os resultados do estudo da Fundaj a respeito dos impactos da crise financeira mundial sobre o emprego formal, analisando o Nordeste brasileiro. As conclusões da pesquisa indicam que a perda de emprego formal no Brasil devido à crise está acima de 500 mil pessoas e teve impactos muito diferentes entre os estados.  A Bahia e o Maranhão possuem perdas líquidas significantes. Um importante fator que contribuiu para que a perda não fosse mais intensa no Nordeste é a forte participação do setor público no emprego formal.

Ao final, o técnico levantou a questão de como levar empresas para o interior da região, a fim de diminuir o trabalho informal, quando não há infraestrutura adequada, qualificação e ensino para interiorizar a industrialização.

Foto: Otávio de Souza

O caminho do desenvolvimento

novembro 24, 2009 por ipea

Sicsú falou sobre a importância do mercado doméstico na superação da crise

João Sicsú, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, abriu o Curso de Economia para Jornalistas em Recife (PE), na noite desta segunda-feira, 23 de novembro, com o tema Economia: história e perspectivas. O doutor em Economia apresentou os fatores para o desenvolvimento a uma plateia de cerca de 100 jornalistas.

“Desenvolvimento é seguridade social, um sistema  em que o País garanta ao cidadão, seja ele contribuinte ou não, segurança de vida desde seu nascimento.” Sicsú explicou que seguridade envolve assistência social e benefícios da previdência, além dos sistemas de saúde, educação de qualidade e de acesso universal. “Nos países desenvolvidos, crianças entram nas creches e adultos fazem doutorado sem pagar nenhuma anuidade por isso. Se isso existe nesses países, pode existir no Brasil também”, afirmou.

O economista defendeu que a seguridade social e a soberania são essenciais dentro de um projeto de desenvolvimento. Para conseguir essa autonomia, é necessário o fortalecimento do mercado de consumo doméstico do Brasil. “Precisamos ter um mercado forte, capaz de dar acesso a bens básicos e, assim, gerar empregos, salários mais elevados, perspectivas de lucro, aumento da produtividade.”

Sicsú citou o exemplo da crise financeira para reforçar como o mercado doméstico traz soberania. O governo brasileiro promoveu políticas para estimular o consumo e obteve sucesso, pois o mercado respondeu. “Países que apostam apenas no mercado externo estão condenados ao papel de torcedores; torcem sempre para o mercado externo ir bem a fim de aproveitarem essa onda positiva.”

Os gastos com a previdência social – R$ 260 bilhões por ano – se transformam, por meio dos benefícios, em consumo, geração de renda, melhoria da qualidade de vida, salário, empregos. Segundo o pesquisador, o salário mínimo e a geração de empregos formais explicam o fortalecimento do mercado doméstico brasileiro, com o aumento da renda média. Outro fator que influencia são as reduções contra as vulnerabilidades externas. Sicsú concluiu que desenvolvimento é também planejamento ambiental e política de construção de infraestrutura, particularmente de transporte público.

Foto: Otávio de Souza

Programação de Recife

novembro 9, 2009 por ipea

Curso “Brasil – Ipea 45 Anos Panorama Econômico-Social: uma atualização”

Realização: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
Parceria: Fundação Joaquim Nabuco e Sindicato dos Jornalistas do Estado de Pernambuco
Local: Auditório Benício Dias (Museu do Homem do Nordeste) – Avenida 17 de Agosto, 2187, Casa Forte
Público alvo: Jornalistas profissionais
Data: 23 a 26 de novembro
Inscrições: até dia 20 de novembro (ou preenchimento das vagas) Mais informações: Adelina Lapa (61) 3315-5249 (adelina.lapa@ipea.gov.br)
Ipea promove curso para jornalistas no Recife

Como parte das comemorações de 45 anos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), será realizado, de 23 a 26 de novembro, o curso gratuito “Brasil – Ipea 45 Anos – Panorama Econômico-Social: uma Atualização”. Em parceria com a Fundação Joaquim Nabuco e o Sindicato dos Jornalistas do Estado de Pernambuco, o evento tem conteúdo voltado aos jornalistas profissionais.

Atualização
Criou-se o curso de economia a partir da demanda da mídia. O objetivo é aprofundar e atualizar o conhecimento dos jornalistas sobre temas econômico-sociais e suas análises e pesquisas nas diversas áreas: setorial, ambiental, urbana e regional, social, macroeconômica e internacional, além de conhecer as principais questões sobre desenvolvimento e indicadores econômicos.

Após quatro edições – Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba –, nesta etapa, o curso acontece no Museu do Homem do Nordeste, em Recife. Podem participar jornalistas profissionais mediante inscrições até o dia 20 de novembro. Os  interessados  devem encaminhar e-mail para (adelina.lapa@ipea.gov.br) com as seguintes informações: nome completo, veículo (ou especificar se for autônomo). Haverá certificado para os participantes.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é uma fundação pública federal vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Suas atividades de pesquisa fornecem suporte técnico e institucional às ações governamentais para a formulação e reformulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiros. Em setembro o Instituto completou 45 anos.

PROGRAMAÇÃO

Segunda-feira (23/11)
19h às 20h30
Economia: história e perspectivas
João Sicsú, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea*
*Professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE-UFRJ) onde lecionava disciplinas Macroeconomia e Economia Monetária nos cursos de graduação, mestrado e doutorado. Graduou-se em economia na Faculdade de Economia e Administração da UFRJ (FEA-UFRJ). Concluiu seus estudos de doutorado no IE-UFRJ. É pesquisador nível 1 do CNPq. Já orientou diversas teses de mestrado e doutorado. Foi professor do Departamento de Economia da Universidade Federal Fluminense entre 1998 e 2002.

20h30 às 21h
Intervalo

21h às 22h30
Perspectivas do Mercado de Trabalho Formal e Informal no Nordeste
Luís Henrique Romani de Campos, técnico da Fundação Joaquim Nabuco*
*Economista formado pela Universidade Estadual de Maringá (PR), onde também cursou a pós-graduação em Consultoria Econômico-Financeira de Empresas. Mestre em Economia com ênfase em Economia de Empresas pela Universidade Federal da Paraíba e doutor em Economia com ênfase em Métodos Quantitativos pela Universidade Federal de Pernambuco.

Terça-feira (24/11)
19h às 20h30
Economia: regulação, inovação, produção e infraestrutura

José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho, da diretoria de Estudos e Políticas Setoriais, Inovação, Produção e Infraestrutura do Ipea*
*Economista, professor da Universidade de Brasília (UnB) e doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), tendo realizado estágio de doutoramento na Universidade Montesquieu Bordeaux IV, no Groupe de Recherche en Économie Théorique et Appliquée (GREThA), França. Leciona disciplinas de Economia com ênfase em Organização Industrial, atuando principalmente nos temas relacionados à Inovação Tecnológica, Dinâmica Industrial, Desenvolvimento Econômico e Microeconomia.

20h30 às 21h
Intervalo

21h às 22h30
Indicadores Econômicos
Albino Rodrigues Alvarez, da assessoria técnica da Presidência do Ipea*
Graduado em Economia, Direito, Biologia e Filosofia pela USP. Mestrado em Teoria Econômica (Distribuição de Renda) e doutorado em Economia aplicada à saúde, ambos pela USP. Experiência na área de pesquisa (FIPE) e docência de economia.

 

Quarta-feira (25/11)
19h às 20h30
Desigualdade Regional e Políticas Públicas
Leonardo Monasterio, da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais do Ipea*
*Graduado em Ciências Econômicas pela UFRJ, com mestrado em Economia pela UFRGS (1995), e doutorado em Desenvolvimento Econômico pela UFPR (2002), com estágio na University of Cambridge. Cursou pós-doutorado na University of London (2006-2007). É técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea e pesquisador CNPq.

20h30 às 21h
Intervalo

21h às 22h30
Relações econômicas e políticas internacionais
Mário Lisboa Theodoro, diretor de Estudos, Cooperação Técnica e Políticas Internacionais do Ipea*
*Formado em ciências econômicas pela Universidade de Brasília (UnB), é mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco (CME/PIMES). Doutor em economia pela Université Paris I – Sorbonne. É pesquisador-associado ligado ao Mestrado em Política Social da UnB desde 1999, foi técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea de 1986 a 2003 e pertence ao quadro de consultores legislativos do Senado Federal desde 2003.

Quinta-feira (26/11)
19h às 20h30
Macroeconomia para o pleno emprego

Renaut Michel Barreto e Silva
, da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea*
*Economista, professor doutorado em Economia pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Publicou diversos artigos em livros e revistas principalmente na área de economia brasileira. Atualmente é assessor da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicos do Ipea.

20h30 às 21h
Intervalo

21h às 22h30
Economia: Política social no Brasil
André Campos, da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea*
*Doutor em Sociologia pela USP e especialista em Direito do Trabalho pela Cândido Mendes. Técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto, atua na área de mercado de trabalho e Justiça.